quarta-feira, 21 de março de 2012

Kumbalawé

É engraçado como os anos passam e a memória vai sumindo. Tudo que sobra é o impacto.

Estar na segunda fileira do espetáculo Saltimbanco do Cirque du Soleil foi uma das experiências mais surreais que já vivi. As cores, as músicas, as performances; tudo é feito para você se envolver naquele mundo de fantasia, onde nada é impossível, onde dezenas de corpos se movem como um só e voar é natural.

Não sei mais dizer o que foi apresentado, lembro de um número ou outro, mas lembro perfeitamente da sensação ao final do espetáculo. A música alta, os artistas agradecendo e o público de pé batendo palmas.

Assim que acabou, o palco ficou vazio e as luzes acenderam, eu chorei. Chorei por infinitos minutos, com o rosto enterrado no peito do meu irmão, ignorando os olhares das pessoas que começavam a sair.

Chorei pela perfeição, chorei pela beleza, chorei pela música, e principalmente chorei por imaginar o trabalho de uma vida sendo aplaudido da forma que foi.

Cirque du Soleil é sonho, só que feito por pessoas reais.

Beatriz Couto

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